Revista de Música #01

Nesta edição da Revista de Música, falo sobre Kenny Dixon Jr. Em concreto, sobre o seu mais conhecido alter-ego, Moodymann. O seu primeiro álbum, Silentintroduction, de 1997, editado pela label Planet E.

Falamos de uma compilação de alguns temas lançados anteriormente como “Misled”, “I Can’t Kick This Feeling When It Hits”, ou “Answering Machine”. 

Moodymann dispensa apresentações para os amantes de música electrónica. Ou do House. Ou do Techno de Detroit. Ou das suas influências do Jazz. Moodymann é isto mesmo, um polvo que se movimenta com um estilo musical em cada tentáculo

Segundo a All Music, Silentintroduction é sem dúvida o seu melhor lançamento. Não tão experimental como os seguintes, trata-se do ponto de partida que o catapultou para ser o que é: uma lenda do underground.

Silentintroduction é elegante. Fica a sensação de ser um álbum que pode ser escutado em qualquer ocasião. Seja na garagem lá de casa, enquanto aspiramos o carro, seja no melhor club de Nova Iorque.

Moodymann transforma coisas simples e mundanas, em música que não é banal. Música que se torna especial. Se este álbum se vendesse em garrafas, deveria vir no rótulo a mensagem “ouvir com moderação”.

Para escutar sem pressas. Moodymann alcança a excelência através de loops melódicos e ritmados. Não dispensa um kick mais dotado. É um homem que produz música como se estivesse a sonhar com os aplausos do público.

Consegue juntar vários elementos ricos de forma mágica. Mistura instrumentos como o saxofone e o piano como ninguém. Ao longo de cada tema, as personagens vão partilhando o protagonismo, como acontece em “Answer machine”.

As raízes negras de Moodyman e a influência racial sobre a sua música estão sempre presentes. Sobretudo as dificuldades que existem em crescer em ambientes hostis. O seu tema “Music People”, termina com uma ode à sobrevivência.

A espaços, varia a contemporaneidade da sua música por estilos emergentes dos anos 70, como o Disco. Um jazz acelerado com uma forte e intermitente batida de rock. A lembrar a banda sonora da actual série da HBO, The Deuce, que também recomendo.

Quando corta os graves, Moodymann trata o álbum como se de um gig se tratasse. Provavelmente, porque sente que as coisas devem ser vividas no momento, e não para serem planeadamente perfeitas.  

Sem nada que o espere, termina com uma faixa de house progressivo que faz inveja aos melhores produtores da especialidade. Provavelmente porque, para este homem, a noite termina num after com amigos. Que tema electrizante, este “Dem Young Sconies”.

Vi este senhor uma vez na vida. No último dia da primeira edição do Lisb-on, em 2014 (na imagem em cima). Admirei essencialmente a sua postura. Alguém simples, de fácil e bom trato. Alguém que ali está apenas e só com uma missão: divertir as pessoas com boa música.

Para muitos, um dos melhores álbuns de música electrónica de sempre

Podem ouvir aqui em baixo um cheirinho, através do Spotify.

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